A objeção da tolerância: “você não deve forçar sua visão sobre o outros”

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| May 25, 2016

Da próxima vez que alguém lhe falar que você não deve “impor suas crenças sobre as outras pessoas”, pergunte: “Mas por que não?”. Qualquer resposta que essa pessoa lhe der servirá de exemplo da imposição da crença dessa pessoa sobre você.

A base do argumento da imposição da crença é sempre de que o certo e o errado são relativos, portanto cada um deve elaborar suas próprias regras e viver conforme achar melhor. Nesse sentido, ninguém tem o direito de julgar o outro. Essa teoria de pensamento é chamada de relativismo moral.

De acordo com o relativismo, não existem padrões morais objetivos, mas sim preferências pessoais. Todavia, como contrapartida ao argumento, apresento abaixo, baseado nas indicações de materiais deixadas abaixo, três razões para refutar esse argumento: 1) o relativismo é auto-refutável, 2) o relativismo não pode razoavelmente dizer que nada é errado, incluindo a intolerância, 3) ser relativista é utopia. Vejamos:

O relativismo é facilmente refutável. A própria teoria se enfraquece e se destrói. Quando um defensor do relativismo diz que “é errado impor sua visão sobre o outro”, não está ele mesmo impondo essa visão sobre o outro? Quando ele diz “já que você não acha que o aborto é certo, então não faça você. Você não deveria intrometer na vida do outro. Isso não vai te afetar. Isso é errado”, não está essa pessoa julgando a sua visão como incorreta e dizendo que você deveria aceitar a visão dela sobre o aborto e não a sua própria? Por quê a visão dessa pessoa deve prevalecer sobre a sua, quando ambas são diferentes e opostas?

A fala dos relativistas está cheio de palavras como “tolerância”, “respeito” e a “amor ao próximo”, mas estas só são colocadas em prática quando o discurso é homogêneo. Relativistas basicamente clamam pela democracia, pluralidade e diversidade, mas frequentemente querem que o outro adote o mesmo discurso, sob pena do outro sofrer inúmeras ofensas, críticas, difamações e julgamentos.

Além disso, o relativismo não possui qualquer autoridade para dizer o que é certo ou errado, tolerante ou intolerante. Se os relativistas clamam que a moral é criada pelo próprio indivíduo, uma vez que o que “é certo para mim, não é certo para você”, que autoridade tem outra pessoa para dizer que o meu discurso é errado? Ou que eu sou intolerante? Se alguém perguntasse: “É errado torturar bebês?”,  a única coisa que o relativista poderia responder, para ser coerente com seu próprio discurso seria: “Bom, eu nunca faria isso com meu filho”. Logicamente, ele não poderia dizer que é certo ou errado, pois não há padrões de moralidade no relativismo. Ele também não pode julgar condutas como certas ou erradas, assim, não haveria diferenças reais na comparação de Adolf Hitler e Madre Teresa de Calcutá. Hitler e Madre Tereza tinham, digamos, somente preferências pessoais diferentes: um gostava de ajudar pessoas, outro de matá-las. Mas afinal, quem somos nós para julgá-las, certo?

Na realidade, é utopia ser um relativista real. O que defende a inexistência de uma realidade objetiva moral reclamará de alguém que furou a fila ou quebrou um contrato. Relativistas sempre terão posições morais, como todos nós. Apesar de não poder oferecer uma base sólida e objetiva para os valores e a moralidade, os relativistas sempre se veem submetidos a elas.

Na verdade, os relativistas acreditam na liberdade de crença, desde que você não aja de acordo com elas. Acredite no que quiser, só não aja conforme suas crenças. Ao contrário, eles dizem, aceite as nossas. “Não seja contrário ao casamento gay, não se oponha ao aborto, aceite a ideologia de gênero.”  Os defensores do relativismo usam como estratégia a tentativa de silenciar aqueles que se opõem a sua visão. Muitas vezes, isso é realizado através de força ou pelo poder da maioria, assim conseguem abafar o discurso intelectual de um tema controverso. O relativismo é, na verdade, a opressão da maioria dos poderosos contra toda e quaisquer opiniões divergentes. Não há tolerância para Martin Luther Kings ou Dietrich Bonhoeffers, ou Marisas Lobos ou Ana Paula Valadões.

De fato, o princípio da tolerância não pode ser usado na visão relativista, pois a tolerância é uma virtude moral. Se não há padrões de moralidade, não há padrões de julgamento para o que é tolerante e o que não é. A tolerância só pode ser usada de forma razoável se se admitir que existem padrões absolutos.

Para mais informações sobre esse tema,  confira:

  • “Relativism: Feet Firmly Planted in Mid-Air” de Francis J.Beckwith and Gregory Koukl.
  • Vídeo sobre o livro, clique aqui 
  • “The Case for Life: Equipping Christians to Engage the Culture”, de Scott Klusendorf